Priscila Jordão's Reviews > Einstein: Sua Vida, Seu Universo

Einstein by Walter Isaacson
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2181940
's review
Nov 11, 2011

it was amazing
bookshelves: biografias, favorites
Read in November, 2011

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Giovanni Gigliozzi Bianco Gostou mesmo, hein?
Se não me engano, foi nesse livro que li essa frase do Einstein: "Uma teoria é tanto mais impressionante quanto maior é a simplicidade de suas premissas, quanto mais coisas diferentes ela relaciona e quanto mais ampla é a sua área de aplicabilidade".
Uma das razões porque não dei nota 5 para o livro é que me parece que ele não apresenta tão bem a visão espiritual do Einstein, um fator essencial para compreendê-lo em maior profundidade como pessoa, especialmente na maturidade. Muitas pessoas veem nele um grande místico, usando suas considerações (muitas deles falsas, aliás) para justificar todo tipo de espiritualidade do tipo "new age", espiritualista.
Isaacson faz um forte contraponto a esta visão, apresentando um Einstein bastante cético na juventude (o que é verdadeiro), mas acredito que não dá a devida atenção para a transformação que ele sofreu em sua visão da transcendência ao longo da vida.
Einstein certamente não era um espiritualista new age. No entanto, construiu uma visão espiritual transcendente bastante robusta, que em nada negava suas convicções sobre a ciência. Pelo contrário, ambas podiam conviver em harmonia.


Priscila Jordão Gi! Eu ia justamente te perguntar por que você deu quatro estrelas...

Achei o livro magnífico porque ele conseguiu articular um acervo documental gigantesco (cartas dele, amigos, familiares) e longos capítulos científicos bem investigativos com a história da vida do Einstein sem deixar a leitura nem um pouco pesada. Isso revela que ele é um ótimo escritor e jornalista e que ele pesquisou muito!

Quanto à parte espiritual, não sei... Entendo que muitas pessoas usam declarações do Einstein pra justificar "o new age way of life". Mas o livro me passou a impressão exatamente oposta sobre o Einstein.

O Isaacson fala repetidas vezes que o maravilhamento do Einstein com o cosmos e, por consequência, sua espiritualidade, advinham da forma como ele buscava leis físicas e matemáticas em tudo. Ele explica muito bem que o Einstein considerava o fato de essas leis regerem o universo e de nós podermos descobri-las algo digno de um sentimento quase religioso. Ele também diz que essa forma do Einstein de ver o mundo ordenado em leis foi uma das causas que o fizeram rejeitar a mecânica quântica. Assim, ficou bem claro pra mim como a espiritualidade estava ligada com as convicções científicas do Einstein, que não era algo à toa. E também transpareceu no texto que essa espiritualidade era algo que ele criou por si próprio e para si próprio, não era uma filosofia emprestada de outros com o “new age” é para alguns. Não, era algo profundamente arraigado à personalidade dele.

Mas não sei, não li muito sobre o Einstein... talvez realmente haja outros aspectos que ele poderia ter abordado no livro sobre esse tema, mas que eu desconheço.


Giovanni Gigliozzi Bianco Você fez uma ótima crítica. Concordo com todos os pontos que vocês elogiou na biografia. Isaacson fez uma trabalho primoroso de reconstrução.

De fato, me lembro de ele ter abordado a espiritualidade de Einstein a partir dessa perspectiva do mundo regido por leis matemáticas -- a "linguagem de Deus". Eu não disse que Einstein tinha uma espiritualidade new age (essa expressão nem existia na época), mas que algumas de suas declarações são usadas, de forma inapropriada, por essa vertente. Ele certamente teria achado a espiritualidade new age uma expressão da ignorância humana e da sua inabilidade de abordar questões transcendentes de forma madura e profunda, sem mistificação.

O que talvez falte na biografia -- faz tempo que eu a li, então estou me apoiando em uma sensação antiga -- seja mostrar o aspecto interior da espiritualidade de Einstein. Verdade que o Isaacson aborda a espiritualidade dele a partir dessa chave interpretativa da descoberta das leis da natureza pelo desvendar de suas estrutura matemática básica, mas isso diz pouco sobre a EXPERIÊNCIA DIRETA de transcendência. Não se trata somente de uma construção simbólica, a posteriori, apoiada por símbolos matemáticos e construções mentais, mas o fruir de uma experiência não-mediada.

Esta experiência transcendente é a base de uma espiritualidade madura, autêntica, que se pode ver livre dos dogmas, das autoridades, do antropomorfismo. , mas que também não se confunde com o ateísmo puro e simples, baseado na negação da transcendência. Einstein referiu-se a ela, com clara indicação de que a vivenciara pessoalmente diversas vezes, com profundas implicações sobre sua estrutura de personalidade e modo de encarar a vida e a ciência. Geralmente chamava-a de "religiosidade cósmica" -- ou "cosmic religious feeling", o que é mais apropriado, porque se refere justamente a uma EXPERIÊNCIA pessoal/transpessoal direta, que pode ser interpretada por ideias, mas não se confunde com elas).

Einstein não está sozinho na tentativa de relacionar essas experiências cósmicas à sustentação de uma visão de mundo integrada de ética, estética e ciência. Na verdade, é surpreendente como praticamente todos os grande físicos da virada do século, que lançaram as bases da relatividade e da física quântica, compartilhavam essas experiências -- como Heisenberg, Schroedinger, Einstein, de Broglie, Jeans, Planck, Pauli e Eddington. Os dois primeiros, principalmente, são verdadeiros místicos modernos, com visões primorosas.

Quase todos os currículos de física anulam esse aspecto essencial desses grandes cientistas. Há uma patrulha ideológica aí. Muitos consideram que essas experiências não contribuem para o entendimento de seus trabalhos, quanto se dá justamente o contrário. Acham que elas não são "científicas", como se a verdadeira ciência devesse escolher que tipos de fenômenos são legítimos ou não.

Podemos estar em vias de uma grande reintegração entre a espiritualidade pós-metafísica e a ciência autêntica, expandida para além desses preconceitos metodológicos e aberta ao grande Mistério. Esses físicos extraordinários estão entre os seus precursores.

Uma das coisas que mais dificulta a emergência dessa integração e recrudesce a postura cientificista é justamente a péssima relação que se tem estabelecido entre as descobertas físicas (especialmente da física quântica) e estas experiências transcendentes. Mais uma vez entra em cena os "new agers", propondo que " a física quântica provou Deus", ou que a ela provou a reencarnação, a telepatia e etc. Seus argumentos são fracos, seus métodos, inconsistentes. Eles só despertam a desconfiança e mais ceticismo entre cientistas sérios -- e com isso jogamos a criança com a água do banho.

A maior parte dos fundadores da física quântica eram pessoal incrivelmente abertas à "religiosidade cósmica", para usar a expressão de Einstein, mas nenhuma delas acreditava que esse corpo teórico explicaria e muito menos "provaria" a existência de Deus. Percebiam -- TODOS eles -- que isso era um absurdo, que suas teorias eram apenas mapas de fenômenos físicos, incapazes de avaliar ou validar realidades transcendentes. São domínios diferentes.

Claro que existem importantes relações entre eles e empolgantes implicações filosóficas das descobertas da física quântica, mas nada disso deve dar azo a extrapolações irresponsáveis, tão comuns entre os "quânticos new agers" atuais.

É isso.

Beijo


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