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O Cemitério de Praga
by Umberto Eco, Jorge Vaz de Carvalho , Rui Augusto
by Umberto Eco, Jorge Vaz de Carvalho , Rui Augusto
** spoiler alert **
Apesar de ser adepto empedernido dos romances anteriores, Umberto Eco ficou aquém neste seu último romance Il cimitero di Praga. Habitualmente capaz de destilar uma narrativa interessante a partir de diálogos enciclopédicos, Eco deixou-se ficar por uma aventura seca e sem ânimo. Ressalva feita, por ventura, à mestria técnica de quem consegue colar uma quantidade absurda de referências históricas centrada em actores e factos reais, mas que é de resto, um hábito do autor. De facto, a ser verdade o que nos indica a contracapa, todos os personagens qaui nomeados existiram na realidade e concretizaram os actos ali descritos. Curiosamente, a excepção é o personagem principal, Simonini. Contudo, o resultado final não me convence. Sobretudo pela falta de ritmo e de um motivo claro por detrás da habitual, e normalmente fértil, verbose de Umberto Eco.
A narrativa pertence então a Simonini, um personagem absolutamente desaconselhável e que tem como profissão notário com um talento especial para a falsificação de documentos, caligrafias e assinaturas. Talento particularmente útil para quem vive numa espiral teorias da conspiração, que se multiplicam e desdobram com uma amplitude impressinante, mas atribuindo sempre a culpa o povo hebreu. Simonini é, ele próprio, um agente dessas mesmas conspirações, oscilando entre merecida vítima e vencedor oportunista.
O livro apresenta-nos mais duas personagens para além de Simonini. Uma delas é o desdobramento do próprio na forma do abade Dalla Piccola, e a outra a do narrador em voz activa, que vai tentando imprimir algum ritmo e desfazendo os nós da narrativa, mas sem muito sucesso. A mecânica da leitura segue os excertos de um diário pessoal onde alternam entradas ora de Simonini, ora de Dalla Piccola, sendo que ambos apenas se conhecem apenas pelo que o outro deixou anteriormente escrito. O ponto de partida do romance passa por descobrir, a par do narrador, da verdadeira identidade destes dois personagens que se desencontram na vida real para se cruzarem apenas nas folhas do(s) seu(s) diário(s).
Um dos defeitos do livro é, no entanto, que este artifício da dupla personalidade, apesar da promessa, não acrescenta nada ao interesse da narrativa e acaba por não servir nenhum propósito prático. Torna-se por isso muitas vezes num empecilho a uma leitura fluída. Muitas vezes as pontes entre os relatos de um e de outro são rápidas demais e ao fim de um tempo tornam-se demasiado óbvias e banais, como uma maquilhagem exagerada e, portanto, duplamente desnecessária.
Por meio destes pequenos problemas, não posso disfarçar um certo desapontamento e resta-me simplesmente esperar ser recompensado para a próxima.
A narrativa pertence então a Simonini, um personagem absolutamente desaconselhável e que tem como profissão notário com um talento especial para a falsificação de documentos, caligrafias e assinaturas. Talento particularmente útil para quem vive numa espiral teorias da conspiração, que se multiplicam e desdobram com uma amplitude impressinante, mas atribuindo sempre a culpa o povo hebreu. Simonini é, ele próprio, um agente dessas mesmas conspirações, oscilando entre merecida vítima e vencedor oportunista.
O livro apresenta-nos mais duas personagens para além de Simonini. Uma delas é o desdobramento do próprio na forma do abade Dalla Piccola, e a outra a do narrador em voz activa, que vai tentando imprimir algum ritmo e desfazendo os nós da narrativa, mas sem muito sucesso. A mecânica da leitura segue os excertos de um diário pessoal onde alternam entradas ora de Simonini, ora de Dalla Piccola, sendo que ambos apenas se conhecem apenas pelo que o outro deixou anteriormente escrito. O ponto de partida do romance passa por descobrir, a par do narrador, da verdadeira identidade destes dois personagens que se desencontram na vida real para se cruzarem apenas nas folhas do(s) seu(s) diário(s).
Um dos defeitos do livro é, no entanto, que este artifício da dupla personalidade, apesar da promessa, não acrescenta nada ao interesse da narrativa e acaba por não servir nenhum propósito prático. Torna-se por isso muitas vezes num empecilho a uma leitura fluída. Muitas vezes as pontes entre os relatos de um e de outro são rápidas demais e ao fim de um tempo tornam-se demasiado óbvias e banais, como uma maquilhagem exagerada e, portanto, duplamente desnecessária.
Por meio destes pequenos problemas, não posso disfarçar um certo desapontamento e resta-me simplesmente esperar ser recompensado para a próxima.
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Reading Progress
| 06/04/2011 | page 135 |
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24.0% |
