Natacha Martins's Reviews > Nana

Nana by Émile Zola
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's review
Jun 30, 10

bookshelves: 2010
Read from June 21 to 30, 2010 — I own a copy

Nana é um mulher surpreendentemente bela, fisicamente irresistível cujo menear de ancas incendeia a plateia do Variedades, sala de teatro onde representa de forma sofrível Vénus, a Deusa do Amor e da Beleza. Não existe homem que lhe consiga resistir e são poucas as mulheres que não a invejam. Desta forma, Nana torna-se na prostituta de luxo mais requisitada de Paris. Vive à custa dos seus amantes, enganando-os com o seu rosto de anjo emoldurado por uns cabelos doirados como o sol, quando lhes promete fidelidade e exclusividade, assim o façam por merecer, pagando de forma exuberante pelos seus serviços.
Nana é uma mulher infantil, temperamental, com súbitos ataques de fúria e frustração seguidos de enternecimentos sinceros, mas breves, pelos problemas dos que a rodeiam. Sente um desprezo enorme por todos os homens que rastejam aos seus pés e, por isso humilha-os de todas as formas que consegue. Nem assim eles a abandonam, completamente dependentes dos seus carinhos e da atenção que esta lhes dispensa. Enfeitiçados pela sua beleza, esbanjam as suas fortunas com ela, comprando-lhe palacetes ricamente decorados, roupas luxuosas, pagando todas as suas despesas e satisfazendo todos os seus caprichos.
Os homens neste livro são dos seres mais desprezíveis que já vi descritos na literatura. Não escapa nem um, são animais com cio, sem qualquer amor próprio, irresponsáveis e burros. Nana, embora não deva nada à inteligência, faz deles o que quer, gritando e exigindo, outras vezes ronronando e iludindo. É uma personagem irritante, por ser emocionalmente tão inconstante e por me fazer lembrar tanto uma criança insuportável e birrenta que consegue sempre o que quer. Mas embora seja irritante, é uma personagem fortíssima de quem cheguei a sentir alguma pena, porque me parecia que ela estava presa numa rede da qual não conseguia escapar, embora o tenha tentado mais que uma vez.

Embora tenha sido diferente do que estava à espera, estava à espera de algo mais parecido com o Germinal, talvez algo mais revolucionário, gostei do livro. Gostei principalmente mais para o fim, onde finalmente reconheci a escrita de Zola, com as suas descrições espantosamente realistas, nomeadamente na descrição da corrida de cavalos, o Grande Prémio de Paris e porque, mais para o fim, há um ritmo alucinante onde todos os que rodeiam Nana começam a ser destruídos, consequência de todos os seus actos irreflectidos na ânsia de cair nas boas graças da cortesã. E Nana exulta com esta destruição à sua volta, como que sentido-se vingada pois, uma rapariga, filha de pai alcoólico e mãe lavadeira, pôs a alta sociedade a rastejar aos seus pés, destruindo-os, ou melhor, deixando que se destruíssem a si próprios, deixando que chafurdassem na sua imoralidade e falta de princípios.
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