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Poesia de Álvaro de Campos: Texto Integral
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Poesia de Álvaro de Campos: Texto Integral

4.57  ·  Rating Details  ·  1,089 Ratings  ·  31 Reviews
Em 8 de março de 1914, aos 25 anos de idade, o poeta português Fernando Pessoa teve um insight e, naquilo que ele chamaria mais tarde de 'dia triunfal', criou seus três principais heterônimos; Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Deu-lhes, além do nome, uma biografia, um biotipo e, sobretudo, uma obra e um estilo poético únicos. Trata-se do único caso de hetero ...more
Paperback, 2nd edition, 593 pages
Published 2006 by Martin Claret (first published July 1st 1978)
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(showing 1-30 of 1,664)
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Rosa Ramôa
Dec 29, 2014 Rosa Ramôa rated it really liked it  ·  review of another edition
Estou cansado, é claro
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
"De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabe-lo
Pois o cansaço fica na mesma,
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto –
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo
Tenho vis
...more
Joana Gonçalves
Campos é o meu heterónimo favorito, sempre foi.

Adoro mergulhar nos seus poemas e perceber a mente desassossegada deste "senhor"... A ânsia de querer sentir tudo de todas as maneiras, o descontentamento e o vazio que isso provoca..

5 estrelas, definitivamente!
Paulo Hora
Jul 25, 2015 Paulo Hora rated it it was amazing  ·  review of another edition
Fazer uma crítica do livro é pensar, o que seria uma injúria para este poeta, para o qual só o sentir e a realidade interessam.

Deixo assim um dos seus poemas. Acho que podia escolher um qualquer, pois estão todos entre o genial e o genial.

«Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm
...more
Luís Blue Yorkie
Among the Fernando Pessoa's heteronyms Álvaro de Campos is the most undisciplined, which is led by the rapture, the free expression of the senses, body impulses and imagination. In this book, the corners are long and prospects, large, seeking a meeting with the fullness of reality. In his odes there is no lyricism, but violence and controversy.
Rosa Ramôa
Dec 29, 2014 Rosa Ramôa rated it it was amazing  ·  review of another edition

Bem sei que tudo é natural

Bem sei que tudo é natural
Mas ainda tenho coração…
Boa noite e merda!
(Estala, meu coração!)
(Merda para a humanidade inteira!)
Na casa da mãe do filho que foi atropelado,
Tudo ri, tudo brinca.
E há um grande ruído de buzinas sem conta a lembrar
Receberam a compensação:
Bebé igual a X,
Gozam o X neste momento,
Comem e bebem o bebé morto,
Bravo! São gente!
Bravo! São a humanidade!
Bravo: são todos os pais e todas as mães
Que têm filhos atropeláveis!
Como tudo esquece quando há dinheiro
...more
Andre Odysseus
The best poetry collection I have ever read. Brilliant! Stunning!
Erwin Maack
Feb 05, 2015 Erwin Maack rated it it was amazing  ·  review of another edition
Em língua portuguesa ninguém, que eu conheça, chegou às profundezas que este homem conseguiu alcançar e mais do que isso, transmitir, comunicar com tanta ênfase, emoção e rigor.
Rosa Ramôa
Dec 16, 2014 Rosa Ramôa rated it really liked it  ·  review of another edition
"O meu olhar é nítido como um girassol "

http://youtu.be/3H3UNUQ6Mhg
Laginestra
"Ho messo in Caeiro tutta la mia forza di personalizzazione drammatica, ho messo in Ricardo Reis tutta la mia disciplina mentale, vestita della musica che le è propria, ho messo in De Campos tutta l'emozione che non ho dato nè a me nè alla mia vita". Fernando Pessoa

Pessoa: dal portoghese, "persona". Peculiare nome questo, già un destino per l'artista che sull'eteronimia ha costruito un universo di fingimento.
In questa realtà, Alvaro de Campos rappresenta il modernismo, l'avanguardia. E' ingegne

...more
Maria Carmo
Mar 20, 2012 Maria Carmo rated it it was amazing  ·  review of another edition
Recommends it for: Everyone.
Eis um maravilhoso (mas torturado) heterónimo de Fernando Pessoa! O "Poeta sensacionista", como ele próprio se descreve, que é talvez o mais místico... Busca em tudo quanto existe confundir-se com a própria raiz DAQUILO QUE é:

"Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem -
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o
...more
Maria
Nov 03, 2015 Maria rated it it was amazing  ·  review of another edition
Shelves: poetry
You'd think after so many hundreds of poems the man would run out of new things to say and the genius quality of his poems would start to fade. But think again.
Pessoa is just... Goodness, I really have no words to describe such a man. My best praise could never suffice to translate all of his talent and all of my fascination. The more I read his words, the more I run out of words of my own to characterize him.
For a while, just forget all the labels you were imposed on in school. It really bother
...more
Laís Cavalcanti
melhor poeta e, se brincar, melhor homem do mundo.
Rosa Ramôa
Mar 13, 2015 Rosa Ramôa rated it it was amazing  ·  review of another edition
***
"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero".
(Álvaro de Campos)
***
Fernanda Lobo
Jun 26, 2012 Fernanda Lobo rated it it was amazing  ·  review of another edition
"No lugar dos palácios e em ruínas
À bera mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos das sinas
De quem sabe amar.

Qualquer que ele seja, o destinos
Daqueles que o amor levou
Para a sombra, ou na luz se fez a sombra deles,
Qualquer fosse o voo.

Por certo eles foram mais reais e felizes."
Carolina Morales
My beloved, favoutite of all (too many) heteronyms of Fernando Pessoa. Cynical, skeptic, a little rude now and then, but always talented and straight.
Lucy in the sky
May 18, 2013 Lucy in the sky rated it it was amazing  ·  review of another edition
My second favorite book in the world.
Helena
Antes de ler este livro com poemas de Álvaro de Campos, pouco ou nada sabia sobre ele. Pesquisei apenas sobre Fernando Pessoa, para conhecer a sua vida e obra, mas preferi não procurar pelo seu heterónimo, resolvendo descobrir pela minha leitura, quem era esta personagem.

Ao terminar, digo que encontrei um homem que vive numa ânsia profunda por ser como é e de não poder recomeçar do zero. Algumas vezes compreendi o que me dizia, outras vezes não, mas esta poesia deprimente, enche-me, ironicamente
...more
Henrique
Jan 18, 2016 Henrique rated it really liked it  ·  review of another edition
Há poemas muito bons no meio do livro e que fogem dos principais ou pelo menos dos mais conhecidos, assim como houve momentos que não vi tanta "graça" no que estava lendo. De toda forma vale muito a pena ler, de preferência devagar, com tempo para pensar sobre cada poesia.
Giulia
Apr 21, 2015 Giulia rated it it was amazing  ·  review of another edition
La gente dovrebbe leggere più Pessoa (e provare a capirlo).
António Alves
Aug 17, 2015 António Alves rated it it was amazing  ·  review of another edition
maravilhoso!
Ricardo Pereira
Sep 22, 2014 Ricardo Pereira rated it it was amazing  ·  review of another edition
É a reflexão de um pouco de nós. É a lógica do nosso lado romântico. É a explicação que até o ler, pensáramos não ter.
É a estória do que não se precisa de escrever, mas de sentir.
É um lugar feliz, onde pensar é estar doente dos olhos. A literatura que é doença, a doença de viver.
Com o que nos é inerente, pensar. É querer não pensar, mas ouvir com os olhos o que as naturezas nos têm p'ra dizer. A natureza das imagens, as que se produzem e as inertes.
Maíra Carvalho
To read Alvaro de Campos' poems, is almost like reading something I myself would have written if I had the talent, because Alvaro de Campos is me and I am Alvaro de Campos, in a way. There are few greater poets, in my opinion. A must read.

Ler Alvaro de Campos é como ler algo que eu mesma teria escrito se tivesse o talento. De certa maneira, eu sou Alvaro de Campos e Alvaro de Campos sou eu. Há poucos poetas tão geniais na literatura, eu diria.
Zack
pessoa is such a fun poet. i like fun.
Mariana Ramos
«... Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo. ...»
As Ostras Clube
Mar 18, 2013 As Ostras Clube rated it did not like it  ·  review of another edition
Uma estrela para a Edição da Companhia das Letras, que é em Fernando Pessoa abrasileirado.
É melhor ler Pessoa na Língua que ele escreveu, e defendeu, tão perto quanto possível do original.
Beths
Oct 10, 2013 Beths rated it liked it  ·  review of another edition
Shelves: kinda-compulsory
I've liked the first half better for the rest of the poems has suddenly become quite pesimistic; it's very nicely written, though - we're talking Pessoa after all.
As Ostras Clube
O livro é perfeito, mas a introdução, é vergonhosa. Espero que alguém a modifique brevemente.
Leticia
Alvaro de Campos is not my favorite of Fernando Pessoa's heteronyms, but he still rules.
Ahmed Azimov
Feb 02, 2013 Ahmed Azimov rated it it was amazing  ·  review of another edition
# البيسوي الأكثر بيسوية من بيسوا

# تأملات باطنيه عظيمه
Aviva Dierckx
Aug 24, 2011 Aviva Dierckx rated it it was amazing  ·  review of another edition
Shelves: own
herlezen vakantie 2010. Pessoa rules !
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  • Eurico, o Presbítero
  • O Medo (Documenta poetica)
  • Cartas a Sandra
  • Folhas Caídas
  • Novos Contos da Montanha
  • A Rosa do Povo
7816
Fernando António Nogueira Pessoa was a poet and writer.

It is sometimes said that the four greatest Portuguese poets of modern times are Fernando Pessoa. The statement is possible since Pessoa, whose name means ‘person’ in Portuguese, had three alter egos who wrote in styles completely different from his own. In fact Pessoa wrote under dozens of names, but Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de
...more
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“Mestre, meu mestre querido!
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,
Alma abstrata e visual até aos ossos,
Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo,
Refúgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dilúvio da inteligência subjetiva...

Mestre, meu mestre!
Na angústia sensacionista de todos os dias sentidos,
Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser,
Eu, escravo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.
Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.
Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!
Depois tudo é cansaço neste mundo subjetivado,
Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas,
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente.
Depois, tenho sido como um mendigo deixado ao relento
Pela indiferença de toda a vila.
Depois, tenho sido como as ervas arrancadas,
Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido.
Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça,
E eu, por minha desgraça, não sou eu nem outro nem ninguém.
Depois, mas por que é que ensinaste a clareza da vista,
Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver clara?
Por que é que me chamaste para o alto dos montes
Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar?
Por que é que me deste a tua alma se eu não sabia que fazer dela
Como quem está carregado de ouro num deserto,
Ou canta com voz divina entre ruínas?
Por que é que me acordaste para a sensação e a nova alma,
Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha?

Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre aquele
Poeta decadente, estupidamente pretensioso,
Que poderia ao menos vir a agradar,
E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver.
Para que me tornaste eu? Deixasses-me ser humano!

Feliz o homem marçano
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada,
Que tem a sua vida usual,
Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio,
Que dorme sono,
Que come comida,
Que bebe bebida, e por isso tem alegria.
A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação.
Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo.
Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.”
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“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
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